Mal a gente tinha comemorado as evoluções na escola (último post) e nos deparamos, ontem, com o bilhete na agenda dizendo que o Gabriel bateu em 4 coleguinhas. Aff! Parece que não podemos comemorar muito e lá vem um lembrete de que as coisas não são tão simples assim. Nesse fim de semana, o Gabriel saiu totalmente da dieta orgânica. Os eventos sociais são um convite pra saída dela. Na segunda ainda, quando foi para a psicóloga, mais comportamentos ruins. Bateu na Cíntia, no papai e não quis cumprir com sua parte na sessão. Não é muita coincidência!!?? Com a volta à dieta na segunda, hoje, tudo voltou ao normal. Seu comportamento na escola foi bom e até pareceu mais falante, apesar de muitas frases não terem conexão umas com as outras. O que não é problema já que a nossa interpretação do que ele fala é um exercício diário e está se tornando o nosso ponto forte!!! Iniciamos, há 3 semanas, uma medicação homeopática que é voltada para socialização e para melhorar raciocínios matemáticos. Para este último eu ainda não sei, mas para a socializacão as coisas estão melhorando, no sentido dele perceber a necessidade do outro em sua volta. Fora o fato de sentir falta da família que está longe, essa semana ele fez uma pergunta muito interessante: Mamãe posso trazer os amiguinhos aqui em casa?? Fiquei tão surpresa que nem respondi logo. Pensei, pensei, mas não na resposta, pois essa eu já sabia. Imaginei se ele poderia estar repetindo um diálogo de algum desenho animado, porém como sei exatamente o que ele assiste, descartei essa hipótese. Ou se alguma vez eu havia ensinado ele a perguntar isso, mas não. Parei de pensar e me dei conta de que preciso parar de pensar, pensar, pensar e me deixar levar pela espontaneidade da situação em si e não questionar tanto os porquês de tudo que acontece. Esse exercício ainda preciso praticar mais. Quanto mais eu praticar, mais eu serei espontânea e mais rápida serei em responder. Nem precisa de homeopatia para esse raciocínio, né?
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terça-feira, 1 de junho de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Os dedos agradecem
Há uns 2 anos o Gabriel começou com o hábito de roer as unhas. Na época lembro que estávamos com uma conduta mais rígida e intolerante em relação a certos comportamentos como bater, beliscar ou gritar, pois até então não tínhamos a menor idéia sobre o autismo. Achávamos que esse comportamento estava acontecendo por falta de limites. Lembro que no meio da nossa investigação para encontrar explicações para isso, fomos a uma neuropediatra que concluiu que seu problema se resumia em problemas educacionais e que faltava limites mesmo e reforçou a necessidade de sermos mais firmes em nossa conduta. Nem preciso dizer que foi exatamente isso o que aconteceu. Não tolerávamos nem uma mudança no tom de voz. Se gritasse então, a casa caía. Bater ou beliscar virou um crime inafiançável, sem direito a ver seu DVD preferido ou ir para o computador. Tudo que ele mais gostava era retirado diante de um mau comportamento. A pressão foi grande. Esprememos a fruta até não dar mais suco. Resultado: ele acabava se autopunindo roendo suas unhas e dedos. Por orientação da psicopedagoga decidimos afrouxar mais e ignorar algumas coisas e em seguida isso logo diminuiu, mas ao longo do tempo nunca zerou de fato. Fiquei radiante por começar a cortar as unhas, já que agora estavam finalmente crescendo. Sentia o maior prazer em tirar aquela sujeira preta debaixo da unha. Meio nojento né? Mas se tinha sujeira era porque havia uma unha crescida e isso pra mim era um sinal de que a compulsão havia melhorado. Em março desse ano a compulsão voltou pra valer. Na consulta com a homeopata que palestrou na conferência, ele não conseguia se controlar. Dava nervoso de ver. Ela prescreveu um remédio homepático que na primeira semana não mostrou resultado positivo, pelo contrário, só piorou. Resistimos e esperamos mais uma semana e nada. Dobramos a concentração da medicação e começou a diminuir mas ainda acontecia. Apesar da frequência ter diminuído a intensidade aumentou. Chegava a ver marcas de sangue em camisas e calças de tão machucados. Ele roía as unhas e tirava a pele dos dedos até sangrar. Uma vez quando fui pegá-lo na escola me assustei com a quantidade de sangue no uniforme. Pensei até que tinha brigado com algum coleguinha, mas era por vários cortes nos dedos por mordida. Então na quarta semana, triplicamos a concentração e aguardamos. Para nossa alegria as coisas melhoraram. Hoje, ele me mostrou as duas mãos e falou: - Mamãe, tá quase todo mundo (os dedos) bom, só falta esse aqui, disse apontando para o polegar, que ainda está bem machucado e que é o único que ele ainda mordisca. Os outros nove estão se recuperando bem e já estão com aquela pelezinha nova e fininha. Parece que acertamos na dose. VIVA a homeopatia!!
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