sábado, 18 de dezembro de 2010

Férias escolares

Mais um ano escolar se foi. As aulas do Gabriel terminaram há duas semanas e por isso ele tem ficado mais em casa. Como se não bastasse se encerraram também as aulas de futebol, de música e também entramos no recesso da terapia. Como ele fica em casa com a Mônica, haja criatividade para mantê-lo ocupado. Mesmo descendo pra brincar na quadra, ele parece não gastar energia suficiente, o que tem alterado um pouco seu comportamento. Está mais desafiador, desobediente e agitado. Junto com o nosso cansaço de final de ano e a ansiedade pra chegar as férias só pode resultar em conflitos diários. A gente tem se esforçado na estratégia do bom comportamento pra merecer o presente do Papai Noel ou em ganhar os adesivos do Diego Go, mas nada tem funcionado. Torço para que quando entrarmos de férias também esses comportamentos e conflitos diminuam.

Por falar no final das aulas, sentirei saudade da equipe de professoras que cuidaram do Gabriel esse ano. A professora Ana Maria enfrentou com sucesso o desafio de cuidar do Gabriel e ajudá-lo nas suas dificuldades. A Camila que pelo segundo ano  o acompanhou (sempre com muito carinho) em sala de aula e no parquinho e teve a oportunidade de ver a mudança do seu comportamento de 2009 (quando não tínhamos o diagnóstico) pra 2010. Ela mais do que ninguém viu a transformação do Gabriel. Sou muito grata pela dedicação, carinho e paciência diários que elas tiveram. Espero que no ano que vem a gente possa contar com profissionais dedicadas e atenciosas como elas. Esse ano foi bem diferente do ano passado, sentia diariamente que meu filho estava sendo aceito e cuidado. Antes do diagnóstico éramos chamados quase todas as semanas para conversamos com a coordenadora. Eu saía chorando da escola quase que diariamente, por que sempre havia um relato de mau comportamento ou agressividade. Lembro que ele faltava muito, porque para mim às vezes era melhor deixá-lo em casa, assim eu evitaria esse sofrimento. Em 2010, ele quase não faltou. Seu portfólio ficou linnndo e não tem espaço de tarefas não cumpridas. Seu desenvolvimento dentro de sala foi considerado bom pela professora. Mesmo chegando atrasado todos os dias ele conseguiu acompanhar o ritmo dos colegas, às vezes sendo até mais rápido que eles em atividades que tem interesse. O legal é que ele está começando a ler. Às vezes acho que ele decorou as palavras e até lê por similaridade, mas é um bom começo pro ano que vem, já que será alfabetizado. Os conflitos físicos com outros colegas foram bem escassos, o que nos faz acreditar que a conduta das professoras foram fundamentais. O "não bater de frente" foi uma estratégia bem executada pela Ana Maria, que teve que ceder muitas vezes, mas que mais contribuiu do que o inverso. Outros aspectos como a fala, diálogos com sentido, expressão de pensamentos e sentimentos ainda precisam ser muito trabalhados. Mas em relação a esses sei que o trabalho será para toda vida e dependerá muito mais da família e da convivência com outras crianças do que propriamente da escola. O que é simples para as crianças neurotípicas, leva muito mais tempo para aqueles dentro do espectro do autismo. Precisamos ajudá-lo a se relacionar, a começar uma conversação, a ter comportamentos sociais adequados.  Mas estou pronta para isso. Que venham os velhos e novos desafios. 


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

As placas tem chamado muito atenção


Há duas semanas fomos ao zoológico.  Havia 4 anos que não levávamos o Gabriel lá. A última vez que fomos, foi na comemoração dos seus 2 aninhos. Dessa vez, fomos com o vovô Domingos, Marcelo e Anadeth, pais da Natália, amiguinha que se dá super bem com o nosso garotão e que é esperta, inteligente e bem falante, uma ótima companhia pra ele. Antes de chegarmos lá, disse que queria ver os elefantes e as girafas.  Quando chegamos, enquanto todos estavam interessados em ver os animais, senti que havia algo que chamava mais a sua atenção: as placas de sinalização e as pontes. Ele é fascinado por pontes. É capaz de ficar passando um bom tempo de um lado pro outro e não cansar.  Isso é muito comum em crianças dentro do espectro autista. Eles ficam interessados por detalhes menos importantes ou que não são o foco principal. Ele até prestava atenção nos animais, mas queria ler tooodas as placas por perto. E ficava chateado caso não lesse.  E queria passar por tooodas as pontes.

A placa que ele mais gostou.
Estava na área do rinoceronte, que nem chamou tanto sua atenção.
A cara de felicidade dele por ter atravessado essa ponte

Ainda que tenha chovido, foi uma tarde divertida e vê-lo na companhia de outras crianças é muito bom, porque o ajuda e o insere cada vez mais no nosso mundo, "dito" normal.
Falando ainda nesse assunto, estávamos indo para a psicoterapia, quando passamos na frente de um hospital. O trânsito estava meio parado e eu distraída escutava música. De repente o Gabriel fala: - Mamãe sabia que aqui não pode tocar instrumentos? - Como assim? O quê? Não entendia o que ele falava. – É mamãe, aqui não pode tocar instrumentos musicais. Não pode tocar trombone. – ÃÃ??? Fiquei sem entender. O trânsito andou um pouquinho e vi a seguinte placa a frente:

Então entendi. Atencioso esse nosso garoto, não é? 

sábado, 20 de novembro de 2010

Pensando no futuro

Ao lado do prédio  onde moramos tem um outro em construção. Todos os dias o Gabriel fica na janela e observa os trabalhadores da obra. Acho que gostou tanto que disse que quando ele crescer, quer construir um prédio também.  Falei então que ele deveria estudar muito pra ser um engenheiro. Com o passar dos dias, ele não esquecia o seu desejo e começou a viajar na imaginação. Agora também quer construir aviões e foguetes. Mas esse não é o seu único objetivo de vida. Também quer ser um super-herói: o super-homem. Aproveitamos pra falar que um super-herói se alimenta bem (come tudo do prato, inclusive beterraba, que ele não tem gostado ultimamente), obedece aos pais, não bate em ninguém e não joga as coisas no chão (podemos falar isso porque ele ainda não viu os filmes). Tem ajudado bastante na hora de comer e no seu comportamento também. Vamos ver até quando.  Está com fixação nos brinquedos do Toy Story e disse que quer ganhar o Lego deles no Natal. Falei que o Papai Noel é que vai trazer e em seguida me perguntou quando ele iria chegar. Expliquei que o Papai Noel vai demorar porque ele mora longe e que tá trazendo os presentes de todas as crianças, mas dará somente para aquelas que se comportam.  Estou torcendo pra essa tática funcionar, porque nas últimas duas semanas ele tá bem agitado, enfrentando e desobedecendo ordens que antes já estavam bem absorvidas. Não quer escovar os dentes, tomar banho só na hora que bem entende, grita por qualquer motivo, usando muito e repetindo as falas dos personagens animados, mesmo que tenhamos reduzido seu tempo na tv ou computador.  Seu diágolo ainda que as vezes no surpreenda, continua linear e  algumas vezes bem incoerente, principalmente quando se exige mais dele. Sinto que as vezes tenho que lidar com 2 Gabriéis. Um calmo, obediente, carinhoso e um outro agressivo, irritante e que desafia a todo custo.  Parecem duas crianças diferentes. O Gustavo também acha isso e sem dúvida, isso dá um nó na nossa cabeça.  
Coloco uma foto dele com a fantasia do Ben10 brasileiro (ele mesmo que inventou esse nome, porque vestiu a calça do Ben 10 e a camisa do Brasil,  kkkk morri de rir com esse autotítulo).
Gabriel: - Olha mamãe, eu sou  o Ben 10 brasileiro!


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ganhamos um selo!






"Este selo representa uma rede infinita de indicação dos melhores blogs da internet no Brasil. Significa que a Sunshine Award está reconhecendo o ótimo trabalho realizado em seu blog! 
O selo e o prêmio servem de reconhecimento e iniciativa aos trabalhos dos blogueiros de todo Brasil, criando uma rede de indicações e blogs." Recebi o selo da Stella Halley do blog A sorrir. OBRIGADA STELLA!!!
Quem recebe o selo deve seguir algumas regrinhas:
1- Criar uma postagem sobre o prêmio.
2- Criar um link do blog que o indicou.
3- Indicar 12 blogs p/ Sunshine Awards (não tem problema indicar para alguém que já recebeu)
4- Informar aos indicados sobre o prêmio.




Indico 5 blogs:
Cozinha sem glúten e sem leite
Estou autista
Espero que, assim como eu, vocês conheçam e curtam esses blogs também.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Quando entrou setembro…

Setembro é um mês especial pra nossa família. Eu e Gustavo fazemos aniversário nesse mês então a gente sabe que tem sempre coisa boa pra comemorar. Até diria que comemoramos mas com uma certa restrição, não fosse meus enjoos diários, noturnos e madrugueiros. Acontecem a qualquer hora e com qualquer alimento. Tá difícil aguentar. O Gabriel fica perguntando o que eu tenho, sem entender o meu mal-estar. E até me imita tendo ânsia de vômito. Dia desses me falou: - Mamãe você tá passando mal? Toma danoninho que passa. (Não sei de onde tirou isso, porque nem toma danoninho, mas ri até). Tento explicar que é por causa da barriga que tá crescendo, mas acho muito abstrato para ele compreender.  Como digo que estou grávida pela primeira vez (porque na gravidez do Gabriel não senti absolutamente nada, nada mesmo), tenho que ir aguentando mesmo e me empenhar em me alimentar bem, mes mo diante de todos os percalços. O Gabriel tá começando a entender que uma nova pessoinha está a caminho e insiste em perguntar se ele/ela irá morar com a gente. A pérola desse mês foi: - Mamãe, o bebê vai dormir aqui em casa?

Notícia triste
Como disse antes, nesse período que fiquei sem escrever tivemos notícias boas, mas também tivemos uma bem triste. Perdemos no dia 6 de setembro, a nossa querida Bisa Sílvia, que passou alguns dias na UTI devido um AVC. Temos certeza que ela viveu intensamente o seus 91 anos e deixa muitas saudades pra todos da  família e amigos. Estivemos no Rio em julho no  aniversário dela e do Gabriel, que terá lembranças de bons momentos ao seu lado. Bisa Silvia, sentiremos sua falta, dos telefonemas e dos momentos juntos também. Um beijo pra você, de nós 4. 

Mais uma notícia....e MARAVILHOSA!!!


No último dia de agosto, para nossa absoluta felicidade descobri que estou grávida. Que notícia deliciosa! Foi maravilhoso compartilhar com todos  sobre a vinda de mais um filhote. E sinceramente fiquei extasiada com a vontade de contar para o Gabriel a mais nova notícia. Confesso que quando contei, fiquei um pouco frustrada porque ele ficou meio indiferente, fato que durou mais ou menos 2 dias. No terceiro já começo a beijar minha barriga e a falar com o bebê. Hoje dá bom dia, boa noite e diz que a barriga tá demorando demais pra crescer, mas isso tem um motivo que eu conto em outro post.

Achei que eu fosse ficar meio neurótica em viver essa nova fase. É que com todos os nossos estudos e entendimento sobre algumas teorias sobre os gatilhos do autismo a gente começa a se policiar sobre os fatores que podem originá-lo como alimentação, produtos químicos, vacinas etc. Apesar disso não ser uma diretriz na minha vida, procurei evitar algumas coisas e estou procurando viver essa fase o mais saudável possível. Comecei desde então a dieta só de orgânicos, mudei meus produtos de higiene, que agora são o mais  naturais possíveis e sem química (essa parte é a que menos gosto – pareço uma riponga – até meu cheiro mudou - agora só desodorante sem antitranspirante, hidratante, sabonete e shampo/condicionador de calêndula), só não consegui tirar o glúten, pois amo um pãozinho. Mas sempre que posso, evito. Fica mais fácil por conta da dieta do Gabriel, pois já tem tudo em casa. Agora ele tem uma companheira inseparável na hora de comer. A única coisa que eu não consegui  me livrar diz respeito a minha  profissão. Não tem como não trabalhar sem ter contato com o tal do amálgama de prata. Não que eu faça esse tipo de restauraçào ainda, mas tenho que substituí-las, então na hora de removê-la o mercúrio está lá me fazendo companhia. Estou usando todos os equipamentos de proteção possíveis e disponíveis. Pareco mais um ferreiro usando minha máscara (dupla), meus óculos sob uma máscara facial, que me cobre até abaixo do pescoço. Chega até a assustar os desavisados, mas faço qualquer coisa pelo meu baby. Estou ansiosa pra saber o sexo, mas na verdade é só curiosidade mesmo, porque se for um menino será uma companhia pro Gabriel brincar e curtir as fases do mundo masculino, e  se for uma menina, o Gabriel terá alguém para cuidá-lo e protegê-lo. Vindo o que vier será muito bem-vindo. Obrigada Jesus, por esse presentão!!!

Mais uma tentativa de atualizar

Ai caramba quanta coisa aconteceu e eu sem escrever. Algumas coisas boas outras nem tanto. Espero que nesse mês eu consiga colocar o blog em dia. Farei um resuminho básico pra deixar os marcos do Gabriel bem documentados, afinal nada pode passar batido.


Gabriel tá aprendendo a se vestir sozinho, desde o finalzinho de agosto. Alguns dias mais facilmente que outros, mas no geral a gente tem delegado essa função a ele. Tem dias que o vício antigo de fazer tudo por ele torna tudo mais rápido e ágil e dependendo da situação até mais cômodo, mas temos tentado insistentemente fazer com que ele faça algumas tarefas sozinho, como colocar a comida no prato e tomar banho. Ir ao banheiro ele já ia há muito tempo (só o número 2 é que realmente precisa de ajuda), escovar dentes, pentear o cabelo (mesmo que o penteado fique parecido com o Zé bonitinho, mas tá valendo). Nosso garotão tem se esforçado bastante e isso é o que importa.

Vestido do jeitinho dele

domingo, 12 de setembro de 2010

Dia dos pais e futebol

Como prometi não deixar passar nada, estou escrevendo sobre o que acontece desde o último post de julho até atualmente. Então lá vai. 

O Gabriel pela primeira vez foi escolher o presente do dia dos pais. Levei ele na Imaginarium, por que tem uma loja que não fica em shopping e como eu ia sozinha com ele, achei melhor fugir daquela agitação que é shopping antes de datas comemorativas. Foi a melhor coisa. Ele escolheu o presente, apesar de ficar dividido sobre o que realmente queria. Tive que dar uma ajuda e compramos um quadro-porta-retrato de pendurar na parede. Ele tem espaço pra 4 fotos e coloquei algumas desde quando ele era bebê até a mais recente. Ele se comportou direitinho, esperou pacientemente, até porque prometi um picolé em caso de bom comportamento.  No domingo, ainda de pijama, ele esperou o papai chegar da padaria pra dar seu presentinho, que era quase do seu tamanho. O papai adorou, só não pendurou até hoje. 


Meu papaizinho

Depois da Copa do Mundo, nosso filhão despertou um interesse maior no futebol. Ano passado ele fazia, mas parecia não ter um interesse de fato. Era mais uma atividade como as outras, mas não percebíamos que ele tinha entendimento das regras ou até do objetivo de um gol, por exemplo. Acho que depois de julho tudo ficou mais claro na cabeçinha dele, por isso resolvemos colocá-lo novamente e agora parece que está curtindo mais, prestando mais atenção nas orientações dos professores e o melhor é que está imitando o que os outros meninos fazem. Dá uma olhada no nosso craque.

Prestando atenção no colega

Fazendo pose pra mamãe

Conhecer para crescer

Há 3 semanas tive uma notícia interessante e inesperada: A Tatiana, ex-monitora da turma do Gabriel me ligou e me falou que o tema da sua monografia seria sobre Autismo. Na hora fiquei tão feliz e por vários motivos. Vi que a convivência com o Gabriel a sensibilizou sobre a importância de conhecer melhor sobre esse transtorno para assim ajudar essas crianças em sala de aula. Ela me perguntou se poderia relatar sua experiência com o Gab, e é claro que eu concordei. Será uma ótima oportunidade de disseminar informações entre outros profissionais da área da educação e isso, sem dúvida, é muito válido. Será uma oportunidade também de alguma forma ajudar outras famílias, por que ter alguém disposto a entender melhor seu filho é algo inestimável. Obrigada tia Tati, você sabe o quanto você foi importante no dia-a-dia do nosso garotão. Obrigada e boa sorte no seu estudo. Inspiração não vai faltar né?

Valeu Tati!!!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

As portas pararam de bater

Da última vez que postei, lembro de ter comentado sobre alguns comportamentos ruins que estavam presentes como, em momentos de raiva, o Gabriel querer bater nas pessoas, jogar o que vê no chão, bater as portas, etc. Coisas que irritam muuuito. Na semana seguinte, resolvemos usar a estratégia do reforço positivo. Como a Cíntia também a está usando nas sessões da terapia, achamos que seria um boa tentativa. E foi o que fizemos. Eu havia comprado há algum tempo um painel com ímãs para ajudá-lo na visualização das tarefas diárias, de forma que ficasse mais fácil pro seu cérebro entender a ordem delas (autistas são extremamente visuais e tem dificuldade de entender o sentido abstrato das coisas, para eles um desenho vale mais que mil palavras). Mas ficou encostado porque eu mesma fiz outro painel, com desenhos maiores. Tive a idéia de resgatá-lo do fundo do armário e qual foi a minha surpresa quando vi que o tema principal do painel era o personagem do “Go-Diego-Go”. Pensa se não caiu como uma luva, já que é a fixação dele nos últimos meses. O Diego e a “Dora Aventureira” são os desenhos preferidos dele no momento. Combinamos as regras então: Não jogar as coisas no chão, não bater em ninguém, não bater a porta. Ensinamos que quando ele estiver com raiva precisa ficar sozinho até que ela passe. Caso ele cumprisse tudinho, ganharia um íma por dia. Quando completasse 10 ímas, ele ganharia um prêmio. No primeiro dia não deu certo, acho que porque ele ainda não tinha assimilado as regras, mas no segundo dia, mudanças começaram a acontecer. Em alguns dias ele não ganhou e ficou triste de dar dó, mas quando ganhava, todo mundo fazia uma festa. Quando ganhou seu décimo íma resolvemos que o prêmio seria uma ida ao cinema. Levei-o para ver "Meu malvado favorito". Particularmente, acho que ele não entendeu muito bem o filme, mas o que importa é que todos aqueles comportamentos foram por água abaixo. Go- Gabriel- Go!!


Painel do Diego
A cara de felicidade ao ganhar o décimo ímã

....depois de tanto tempo

Gente realmente estou muito atarefada e quando penso em escrever aparece algo que preciso resolver pra ontem. Resolvi não deixar fazer aniversário de 2 meses sem postar e hoje FINALMENTE escreverei sobre o que tem acontecido com a gente nesse meio tempo. Tenho muitas novidades pra contar, mas vou dividir em vários posts pra não virar um samba de crioulo doido.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Constatação de tempo e número

No elevador olhando pra o Gustavo, Gabriel fez o seguinte comentário: "Papai, você tá ficando velhinho!". Caímos na gargalhada. Não é que o garoto tá reparando até no cabelo branco! Para quem não tinha nem noção de tempo...

O uso do plural também tem melhorado. Ontem disse pra mim: Mamãe, você e eu podemos ser super-Gabriéis. Tá bom? Achei muito legal a percepção das duas pessoas e concordar isso com o devido plural. Legal, não acham?

Enquanto isso, na hora da raiva, portas continuam batendo...
Alguma sugestão?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Altos e baixos

Essa semana o Gabriel tem regredido em alguns comportamentos. A bateção de porta voltou com força total, estou com alguns arranhões no braço e seu limiar de frustração está lá em baixo, está enfrentando mais ao invés de refletir para argumentar, sendo mais impulsivo e com fortes crises de raiva. No início da semana sua maneira de articular as palavras estava meio bagunçada, como se o raciocínio tivesse numa velocidade que a boca não acompanhasse, daí aparecia umas frases soltas e sem muita conexão umas com as outras. Muito agitado, pulando e balançando as mãos quase sempre. Aff tudo isso junto me diz que algo aconteceu. Não sei se tem a ver com a saída da dieta no final de semana ou se é porque está ficando em casa e não está gastando tanta energia quanto ir pra escola. Ainda tem o fato do pai ter viajado na terça e só voltará amanhã. Enfim não sei o real motivo, só sei que tô um pouco chateada por tudo isso voltar. As vezes esses altos e baixos são como um peça que a vida nos prega, como se algo dissesse: "ó, não comemora muito não porque tudo pode mudar", mas sei que devo aprender com eles, por mais difícil que possa parecer.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sexto aniversário

No último dia 19, nosso garoto fez 6 anos de idade e tivemos várias comemorações. A primeira foi no colégio. Decidimos, pela primeira vez, comemorar lá. A gente nunca tinha feito isso porque o seu niver sempre cai no período de férias, então decidimos antecipar alguns dias e realmente valeu a pena. Pensa na felicidade dele!!! Ficou extasiado ao ver a gente na escola e comemorarmos junto com os coleguinhas e professores. Valeu cada minuto do tempo do horário do lanche, que foi curto pra gente, mas imenso de felicidade para ele. Adorei ver as professoras do ano passado e as desse ano. O professor Júnior também estava lá. É muito bom ver o carinho que eles tem com o Gabriel. O sucesso que nós temos na melhora do Gabriel também se deve a esse carinho, além do preparo e da dedicação dessa equipe. Obrigada gente, vocês são demais! Não tenho como agradecer pela contribuição que vocês tem dado ao desenvolvimento dele.

Turminha do Gabriel
Os professores 
Acabou a farra, hora de voltar pra sala

A segunda comemoração foi no Rio junto com a Bisa Sílvia, que fez 91 anos no dia 16. Passamos só o final de semana lá, mas foi muito bom rever a família e conhecer o Tiago e rever o Tomás, ambos priminhos do Gabriel. Já estamos com saudades de todos.

Gabriel e seus priminhos Tiago e Tomás
Tio Léo, Primo Tomás, Bisa e Papai
Hora do Parabéns
Nós e a bisa Sílvia
Flores para a bisa. Ele mesmo escreveu o cartão.
Lindos!!!Muitos anos de vida!!! Muita saúde!!!
As 4 gerações 
A terceira foi aqui em casa e foi no dia 19. Comprei um bolinho e uns brigadeiros para cantarmos parabéns no dia do niver de fato. O primo Tito veio para dar uma abraço e se esbaldou no pão de mel. Na casa da titia POOOODE!!!

Titão não largou o docinho
Celebrar o sexto aniversário do Gabriel, depois de toda melhora que ele tem apresentado tem,  sem dúvida, um gostinho especial. Vê-lo crescer e passar pelas fases da infância de uma maneira mais natural, ainda que com algumas peculiaridades, faz a gente olhar pra trás e ver que todo cuidado e esforço valeu a pena. Agora, é seguir adiante e continuar seguindo seu tratamento e continuar trilhando essa viagem que só tá no começo. Parabéns meu pequeno-grande amor! Obrigada por você presentear a mamãe com sua companhia. Ver seu sorriso todo dia me faz muito feliz.

Te amo, meu lindo!!!

domingo, 11 de julho de 2010

Festa junina

Ano passado foi um ano cheio de turbulências frequentes na escola e em casa por causa do comportamento do Gabriel. Sem o diagnóstico, não tínhamos a menor idéia sobre o que motivava suas crises de raiva, antes tidas como crise de birra e falta de limites. Na festa junina de 2009, tudo foi difícil. O Gabriel não quis colocar nem sequer a roupa de caipira quanto mais dançar. É claro que demos uma forçada de barra, pois achávamos que era pura birra. Imagina! Porque não querer colocar uma roupinha nova só pra dançar? Na nossa cabeça isso seria normal demais. Por que não? Não, para uma criança autista. Isso representa a saída da sua rotina e quando ela é alterada se torna assustadora e sem controle, se tornando amedrontador para quem vive. Na hora da dança, não quis de jeito algum. Nem preciso dizer que fiquei frustada. Aliás eu não, mas a minha expectativa. É claro, as projeções de mãe de ver o filho fazer tudo direitinho nas apresentações da escola são maiores que o prazer da criança em si. Fui embora pra casa triste e disse isso a ele, ainda mais que havia levado minha sogra e um amiga para ver a apresentação. Hoje, com o diagnóstico, tudo ficou muito claro. Como eu fui cruel com ele, sem intenção, é claro. Ele deve ter ficado muito amendrontado e precisando do meu apoio que não foi dado, pelos motivos que falei antes. Hoje, após a hipótese diagnóstica, podemos saber o que é necessário fazer e evitar para não despertar esse tipo de situação. A antecipação é algo essencial na sua rotina. Falamos com antecedência o quê e como acontecerá. Repetimos durante alguns dias antes da festa desse ano, sobre a roupa e sobre a dança. As professoras também reforçaram isso na escola. No dia da apresentação, vestiu a roupa numa boa e até então não dava sinais de que não queria dançar, só não quis o tal do bigodinho. Fomos preparados para qualquer reação dele. Não forçaríamos de jeito algum diante de uma negativa. Mas decidimos tentar para que ele comece a entender que na vida sempre terá desafios e que ele precisará aprender a lidar com isso. Qual foi a nossa surpresa quando ele entrou pra dançar (apesar de um suspensezinho antes da sua entrada, a turma entrou e nada dele, mas depois de alguns segundos ele deu o ar da graça). No vídeo vocês podem ver a desenvoltura do nosso pequeno. Ele está de camisa rosa e lenço azul marinho, ao lado da sua fiel escudeira, a Tia Tatiana, que tem sido uma amiga especial, ajudando e encorajando o Gabriel sempre. Na foto, antes do início da apresentação, ela fala com ele. (à esquerda)





Gabriel e sua turma, de caipiras. Todos muito fofos. 




Gabriel e sua querida professora Ana Maria, a quem agradecemos e admiramos pela dedicação, compreensão e paciência.  Você tem desempenhado um trabalho excelente. Parabéns!!!




Gabriel e Tatiana. Ela ficou orgulhosa pela dança do Gabriel. É Tia Tati, deu tudo certo. Obrigada pela seu carinho e sua ajuda. Você também é muito especial para ele.




Eu, Gabriel e Tia Jeanne, que veio de Belém e conferiu a performance do nosso caipira. Que bom que você veio Tia Jê.





Eu, Gustavo e o nosso pequeno-grande filho




Valeu filho, mais uma evolução para comemorar! Estamos orgulhosos de você!!!


Muitas histórias e uma viagem

Fomos a uma reunião com outros pais de autistas promovida por algumas psicólogas que estão motivadas a proporcionar um contato maior entre os pais de seus pacientes. Foi uma experiência muito boa. Falamos e ouvimos muitos relatos sobre o dia-a-dia da vida de nossos filhos e isso certamente foi muito enriquecedor. Conhecemos algumas pessoas com realidades diferentes da nossa, com idade e graus de autismo diferentes do Gabriel, mas que tem em comum o diagnóstico e o impacto dele na vida familiar. Acho que ouvir e conhecer outras experiências é sempre bom. A gente cresce e aprende mais. Reflete sobre a intensidade que damos aos nossos problemas e concluimos que muitas vezes nosso problema não era tão grande quanto imaginávamos. Ou então o contrário, que o buraco é, sim, bem mais embaixo. Os relatos foram carregados de vivências boas e outras nem tanto assim. Vi mães que fazem de um limão, uma limonada, todos os dias. Discutimos sobre a escolha de um casal de ter outros filhos depois de saber que um deles tem o transtorno, a experiência dos irmãos de autistas e sua vergonha deles, sobre a renúncia da carreira profissional por algumas mães para escolher cuidar de seus filhos, o impacto do diagnóstico na vida familiar e seus reflexos na vida conjugal, entre outros assuntos. Dentre todos que falaram destaco um frase muito bonita dita por um dos poucos pais presentes. Quando ele falava sobre as dificuldades de ter um filho autista e das projeções que fazemos na vida deles, ele falou: "Não importa como será o futuro dele, se vai casar, se vai ter filhos, se vai ter uma profissão, o mais importante é curtir essa viagem sensacional que tenho ao lado do meu filho. Curto cada momento dessa viagem sem tanta preocupação do que virá depois". Achei tão linda e me emocionei com essa afirmação. Lembro de quando estava grávida que meu desejo maior e o meu pedido constante a Deus, era que meu filho fosse FELIZ, vivendo e fazendo o que gosta. Acho que a maioria das mães pede saúde, saúde e saúde. Pois é, eu só pedia felicidade. Pedia que Deus me desse capacidade de fazê-lo feliz. Vi o rosto desse pai e percebi que independente do diagnóstico, havia uma felicidade ímpar de conviver com uma criança autista. Esse sentimento que buscamos e projetamos, está ao nosso lado, com aqueles que amamos e compartilhamos nossa vida. Parece ser tão natural não é? Mas acho que perdemos muito dessa essência buscando coisas materiais e passageiras.
Outra mãe que gostei de conhecer foi a de um autista de 24 anos. Tenho curiosidade de conhecer adultos com o transtorno e conhecer suas experiências diante das mais variadas fases da vida. Como foi na adolescência por exemplo? Como a família lidou? Quais foram os maiores desafios? Enfim são tantas coisas que desejo saber. Combinei com ela de conhecer seu filho numa outra oportunidade, tenho certeza que será uma experiência em tanto. Enfim, poderia contar mais sobre essas pessoas que conheci, mas o post ficaria imenso, então prefiro agradecer a esse grupo de psicólogas (do qual a Cíntia faz parte) pela oportunidade rica e válida de nos aproximarmos  e crescermos juntos. Meninas, vocês foram ótimas. Torço para que vocês continuem fazendo esse trabalho, que só tem a acrescentar na carreira de vocês.
Quanto a felicidade que tanto pedi, só o Gabriel um dia poderá dizer, mas tenho absoluta certeza de que apesar dos desafios, das projeções não realizadas até agora ou das que acontecerão no futuro, minha viagem ao lado do Gabriel tem sido uma viagem de aventura, cheia de surpresas, aprendizado e um pouco de suspense de vez em quando, mas compartilho do mesmo sentimento daquele pai de que o vale é a curtição dessa viagem  e principalmente da felicidade de viver ao lado de uma criança especial.

terça-feira, 22 de junho de 2010

"Nada se cria tudo se copia"

Nossa dificuldade nas sessões de psicoterapia, dita em um post anterior, parece ter sido solucionada. Como sugestão da Cíntia, para descobrir se a resistência do Gabriel tinha relação à ela ou ao atendimento em si, simulamos a ida ao consultório para ver a Camila, que é uma outra psicóloga que atende outro menino na mesma hora da sessão do Gabriel. E não foi que ele aceitou numa boa. Também pudera, a Cíntia é que corrige, que pega no pé, que cobra, enfim, que faz o trabalho "chato". Já a Camila é pra dar beijos, abraços, emprestar brinquedo ou DVD's. Pelo menos agora ele não apronta um auê pra ir pra consulta. A Cíntia resolveu também não continuar utilizando as caixinhas (programas utilizados na sessão), ao invés disso ela procurou outras abordagens, para ver se assim ele aceitaria melhor as sessões. Ontem a coisa melhorou ainda mais, já que a Cíntia e a Camila resolveram trabalhar de forma conjunta o Gabriel e o outro menino, que também se chama Gabriel, mas que tem 11 anos. Parece que a sessão foi sensacional. Como o comportamento do meu Gabriel é totalmente moldado por imitação, foi maravilhoso ele ter outra criança para copiar. Até massagem ele pediu porque o outro garoto não começa sua sessão sem essa atividade. Massagem não é o forte do meu Gabriel. Pra ele aceitar só na base da brincadeira e mesmo assim tem que ser por pouco tempo, porque já fica impaciente. Agora ele já mudou e até pede por um carinho com óleo de massagem. Outra coisa muito legal foi que o outro Gabriel faz sempre as caixinhas numa boa, sem reclamar e quando o meu Gabriel viu, começou a querer fazer também. Pronto, achei tudo de bom. Fiquei aliviada pois assim a Cíntia pode dar continuidade ao seu trabalho, antes interrompido. E o mais maravilhoso foi o comentário do meu Gabriel frente a uma certa situação: Estava a Camila e o outro Gabriel finalizando a sua sessão, quando ele perguntou se ele poderia ir um pouco pro computador. A Camila disse que não, pois o pai dele já havia chegado e que por isso ele precisava ir embora. Ele insistiu e disse que queria muito jogar um pouco no computador. De novo a Camila disse que não, que já era preciso ele ir embora. Assistindo todo o diálogo, o meu Gabriel fez o seguinte comentário: - Nossa Cíntia, eles estão conversando, né? A Cíntia respondeu: - É Gabriel, quando tem um problema as pessoas precisam conversar para resolvê-los. Daí ele falou: - É Cíntia, não pode bater, nem beliscar. Tem que conversar! Uhuuu!! Vibrei quando a Cíntia me contou. Acho que foi  um dos momentos mais esperados por mim desde quando a agressividade do Gabriel apareceu (isso tem mais ou menos uns 3 anos, quando os beliscões, tapas e chutes começaram). Vocês não podem imaginar como foi importante saber que meu filho, enfim, entendeu que precisa conversar para se entender com outras pessoas. Para mim isso não tem preço. Fico emocionada só de pensar que isso é um grande (re)começo para ele. Torço pra que essa imitação continue sendo positiva e que ele continue copiando os bons comportamentos do seu companheiro de terapia.

sábado, 12 de junho de 2010

Velocidade no raciocínio

Estamos muito animados por ele estar começando a contra-argumentar. Na quarta precisamos levá-lo à pediatra pois, está com bicho-de-pé. Já tentamos tirar e nada, mas enfim levamos para ela ver. Como foi à noite, emendamos e fomos logo depois do trabalho. Peguei o Gabriel em casa, que já havia jantado e levamos ao consultório dela. Quando estávamos voltando pra casa ele dormiu e o Gustavo resolveu passar no McDonalds pra comer alguma coisa, porque ainda íamos passar na casa de uma amiga e chegar na casa dos outros sem comer nada, não dá certo. Ao estacionar o carro, o Gabriel acordou e disse:
 - Papai, quero comer sanduíche. 
 - Mas, Gabriel você já jantou.
 Automaticamente, ele respondeu: - Mas a minha barriga já tá vazia.
 - Gabriel, você só é pequeno, mas seu raciocínio tá bem rápido hein?- disse o papai.
 - Mas eu não sou pequeno, sou um menino grande.

UAU!!!Fiquei surpresa de ver o racicínio do nosso garoto. Rápido no gatilho e com argumentos bem objetivos. Bom demais, não é?

Desafio atual

Gabriel está dando um pouco de trabalho nas sessões de psicoterapia. Há algum tempo, estamos tentando descobrir o que realmente o desagrada. Não sabemos se são as atividades em si (a tal das caixinhas, que contém os programas a serem trabalhados) ou se é uma resistência à Cíntia (tadinha, tá quebrando a cabeça pra descobrir também). Já mudamos de estratégia algumas vezes. A Cíntia já o levou pra passear, levou DVD de filme infantil, reforçou com algum tempo no computador, mas nada parece dar certo. Ontem ela decidiu vir aqui em casa e parece que foi proveitoso. Ela está revendo e decidirá o que faremos. Achei ótimo porque além de evitar o deslocamento (o consultório dela é bem longe daqui de casa), foi muito bom pra pessoa que cuida do Gabriel ter noções de como lidar com ele, já que ela é nova aqui em casa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coincidência???

Mal a gente tinha comemorado as evoluções na escola (último post) e nos deparamos, ontem, com o bilhete na agenda dizendo que o Gabriel bateu em 4 coleguinhas. Aff! Parece que não podemos comemorar muito e lá vem um lembrete de que as coisas não são tão simples assim. Nesse fim de semana, o Gabriel saiu totalmente da dieta orgânica. Os eventos sociais são um convite pra saída dela. Na segunda ainda, quando foi para a  psicóloga, mais comportamentos ruins. Bateu na Cíntia, no papai e não quis cumprir com sua parte na sessão. Não é muita coincidência!!?? Com a volta à dieta na segunda, hoje, tudo voltou ao normal. Seu comportamento na escola foi bom e até pareceu mais falante, apesar de muitas frases não terem conexão umas com as outras. O que não é problema já que a nossa interpretação do que ele fala é um exercício diário e está se tornando o nosso ponto forte!!! Iniciamos, há 3 semanas, uma medicação homeopática que é voltada para socialização e para melhorar raciocínios matemáticos. Para este último eu ainda não sei, mas para a socializacão as coisas estão melhorando, no sentido dele perceber a necessidade do outro em sua volta. Fora o fato de sentir falta da família que está longe, essa semana ele fez uma pergunta muito interessante: Mamãe posso trazer os amiguinhos aqui em casa?? Fiquei tão surpresa que nem respondi logo. Pensei, pensei, mas não na resposta, pois essa eu já sabia. Imaginei se ele poderia estar repetindo um diálogo de algum desenho animado, porém como sei exatamente o que ele assiste, descartei essa hipótese. Ou se alguma vez eu havia ensinado ele a perguntar isso, mas não. Parei de pensar e me dei conta de que preciso parar de pensar, pensar, pensar e me deixar levar pela espontaneidade da situação em si e não questionar tanto os porquês de tudo que acontece. Esse exercício ainda preciso praticar mais. Quanto mais eu praticar, mais eu serei espontânea e mais rápida serei em responder. Nem precisa de homeopatia para esse raciocínio, né?

terça-feira, 25 de maio de 2010

E na escola?

Apesar dos progressos diários do Gabriel ainda temos nos deparado com algumas pequenas dificuldades na escola. As duas principais questões são as atividades, que ele as vezes não desenvolve até o final, e os desentendimentos com os colegas, em razão da falta de habilidade em se comunicar.

Felizmente Deus nos presenteou com a professora Ana Maria que tem sido excelente em perceber a personalidade e as diferenças do Gabriel em relação às crianças neurotípicas e o ajuda muito a se manter equilibrado e interessado no dia-a-dia em sala de aula. Segundo ela, ele já está lendo algumas coisas sem qualquer ajuda e tem acompanhado a turma sem problemas, exceto pelas atividades deixadas pela metade. Já aquelas das quais ele gosta, ele realiza até o final e são, algumas vezes, concluídas rapidamente, exigindo que ela esteja sempre atenta e dê exercícios complementares para que ele não se desinteresse na aula. A professora chegou a comentar que as outras crianças as vezes se admiram ao vê-lo lendo e comentam: - Tia, o Gabriel tá lendo?

Por outro lado quando ele emperra, e rejeita a tarefa, não tem santo que faça ele se concentrar naquilo. Mas a Ana Maria tem tirado de letra e foge dos conflitos deixando o ambiente tranquilo e aguardando que ele se interesse por conta própria.

Outra pessoa que tem papel especial na escola é a Tatiana. Ela é o braço direito da Ana Maria e dá muito suporte ao Gabriel quando ele precisa se relacionar com os colegas, além de cuidar dele na hora da saída. As vezes ele quer pedir algo ao colega e diz a ela: - Tia, eu quero pedir. Então ela diz a ele: - Então fala para o colega, eu quero a sua pecinha (por exemplo), você pode me emprestar? Ele repete e consegue interagir sem perder a paciência.

Isso sem falar nos outros professores e na coordenação que sempre têm prestado muita atenção e compreendido o nosso garotão.

Depois de um ano extremamente conturbado e tenso em 2009, hoje percebemos que acertamos ao mantê-lo na mesma escola após o diagnóstico. Graças a esta equipe nota dez, as semanas estão passando de maneira mais tranquila e com mais passos para frente do que para trás.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Hino Nacional e Um anjo do céu

Na escola, todas as sextas, acontece às 7 da manhã, a hora cívica, onde todos os alunos cantam o hino nacional enquanto a bandeira é hasteada.  Só que é muito raro o Gabriel chegar nesse horário, já que por orientação da psicóloga é preciso evitar situações de enfrentamento. E cumprir horário é sinônimo de conflitos. Essa abordagem evita que ele se estresse e se irrite e assim evita-se também as agressões. Por isso de manhã, aqui em casa tudo acontece em câmera lenta. Tudo para o dia começar bem e pra cima.  Na semana passada conseguimos a muito custo, chegar durante o hasteamento da bandeira e qual foi a nossa surpresa ao ver nosso garoto cantando o refrão do hino cheio de orgulho e com o sorrisão no rosto! Ehehe adorei! Muito lindo! Fiquei toda orgulhosa. Ainda bem que a copa está chegando, assim ele vai ter mais oportunidades de treinar as outras partes do hino. Coloco uma foto dele na última Copa. Ele e sua alergia a picada de insetos.



E por falar em cantar, no último domingo teve a apresentação da pré-instrumentalização. Em ano de comemoração dos 50 anos de Brasília, todas as músicas apresentadas eram de cantores daqui. A música da turma do Gabriel foi "Um anjo do céu"do Maskavo.  Chegamos no auditório e ele logo disse que não iria cantar, chorou um pouco e decidimos ficar mesmo que ele não cantasse. As crianças foram se acomodando sentadas na lateral do palco até que chegasse a sua vez. Estrategicamente me sentei na primeira fila na lateral também e aos poucos ele foi sentando perto delas, mas ainda dizia que não iria cantar. Daí parti pra negociação pesada: Ou canta ou não vai ter video game. Será que fui muito cruel? Mas parece que deu certo. No video vocês podem ver a performance do garoto. Percebam no final o seu desabafo de superação. Nem precisa dizer que chorei durante a apresentação. O Gustavo idem. Pena que o primo Tito dormiu e não pôde curtir, mas a vovó Solange representou a família. Espero que gostem.




quinta-feira, 20 de maio de 2010

....sobre estrelas


Na semana passada, os dias foram meio tensos por causa do pedido da escola para não atrasar. Até sugeri a minha chefia de sair 10 minutos mais cedo, mas fica difícil porque daí toda a equipe teria que chegar mais cedo para sair mais cedo também. Então continuei a fazer treinamento para trem bala ao sair do trabalho. Corro o máximo possível e consigo chegar lá uns 10 ou 12 minutos depois que ele sai de sala. Parece que não ocorreu maiores problemas e nenhuma reclamação de outros pais. Menos mal. A professora Ana começou uma estratégia de dar uma estrelinha para os alunos quando eles se comportam bem durante o período de aula. Na sexta quando fui buscá-lo ele estava desolado e chorou muito ao me falar que não havia ganhado a estrela. Conversei muito com ele durante o fim-de-semana e disse que ele deveria se comportar, não bater, nem beliscar ninguém para poder ganhar o prêmio. Na segunda tudo se repetiu. Ficou desolado de novo. Conversamos mais ainda e finalmente na terça ele ganhou a estrela. Ele ficou simplesmente extasiado de felicidade. Acho que ninguém tem a idéia da sua felicidade, mesmo que eu explique. E falava e repetia "Eu se comportei, eu se comportei"para todos que encontrava sobre seu bom comportamento. Mas na sexta foi uma lástima. A regra era a cada 5 estrelas recebidas a professora daria uma lembrança, então na sexta ela fez o balanço da semana. Como em 3 dias ele não ganhou, ele não conseguiu juntar as 5, então ele ficou triste novamente por não ganhar a lembrancinha. Repetiu isso a tarde toda. Não importa o que acontecesse ele ficava martelando a mesma frase: "Eu tô muito triste, porque não ganhei a lembrancinha". Fico na dúvida se ele realmente entende o que precisa fazer para se comportar melhor ou se ele não consegue se controlar na hora do conflito com as outras crianças. Independente disso continuamos trabalhando o comportamento dele quando está triste ou com raiva de algo. Dizemos que ele deve se afastar e ficar sozinho até se acalmar. Que bater ou beliscar não vai resolver nada. Tentar conversar ao invés de bater as portas. Enfim sabemos que isso leva tempo, mas ele já está bem melhor do que há um ano atrás e está se esforçando para isso também.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dia das mães


Sei que o dia das mães já passou, mas como estou colocando o papo em dia, vamos lá.
Fomos à igreja e o nosso rapazinho se comportou muitíssimo bem. Na escola bíblica prestou atenção à historinha e fez a atividade do seu jeito, é claro, entrando e saindo da sala o tempo todo. No final do culto até cantou lá na frente em homenagem às mães. Fiquei toda orgulhosa de vê-lo ali. Me fez lembrar da época quando eu tinha sua idade e também fazia as apresentações no altar, cantando ou recitando um verso. Me emocionei muito!! Agradeci a Deus por tantas coisas: por nos dar forças e nos ajudar a superar as horas difíceis. Pela evolução no seu tratamento e por estarmos unidos, independente da intensidade dos problemas. Por nos ensinar a sermos perseverantes naquilo que acreditamos ser o melhor para o nosso filho. Agradeci mais uma vez pelo presente e pelo privilégio de ser mãe do Gabriel, pelo crescimento pessoal e espiritual que tenho vivido a partir da experiência de ser mãe dele. Por me dar a oportunidade de ver o crescimento do meu filho dentro de um lar cristão e participando do Seu trabalho também. Há muito tempo gostaria de ter dado esse testemunho, que para mim é como uma forma de agradecimento por tudo o que Deus tem feito em minha vida. Como Ele diz em Sua Palavra: "como o barro na mão do oleiro, assim sois vós nas minhas mãos". Jeremias 18. 6. Esse versículo vem forte em minha mente quando penso no que acontece comigo atualmente, porque Ele continua me moldando com Suas próprias mãos, as vezes Seu apertar é dolorido, me moldando e ajeitando aqui e ali, mas sei que Sua intenção é me tornar um vaso melhor. Um vaso para SERVIR. Servir a Ele acima de tudo e servir as pessoas ao meu redor, como amiga, irmã, filha, esposa e mãe. 

Não poderia esquecer de agradecer a minha mãe por tudo o que fez e tem feito por mim. Quando me tornei mãe, passei a dar mais valor à ela, passei a sentir o quanto é emocionante e prazeroso dar amor sem querer nada de volta. As renúncias e os sacrifícios passam a não ter valor diante da felicidade e do sorriso de um filho. E isso ela fez por mim. Obrigada mãe pelo seu amor e dedicação. Espero ser uma mãe tão dedicada quanto você e também espero ser uma filha melhor para retribuir o que você fez por mim.


Não posso esquecer de falar também das mães de autistas que conheço, as mulheres-maravilha espalhadas por esse Brasil. Parabéns pela força e empenho! Deixo uma mensagem de uma amiga minha de infância, que retrata perfeitamente nosso dia-a-dia de luta e esperança. Sempre gostei muito desse relato e quando soube do diagnóstico do Gabriel consegui entender exatamente o que ela quis dizer. 

Maria Clara me transforma... me ensina a ter perseverança, a não desistir nunca! Me ensina também que há momentos que preciso ceder e muito! Ensina que chorar é apenas mais um ato para reunir forças e começar tudo de novo! E principalmente, me mostrou que como mãe devo apenas aceitá-la incondicionalmente, pois no fundo, bem lá no fundo sei que ela está dando o seu melhor! Afinal, vivemos intensamente um dia de cada vez. Cada conquista é uma grande vitória assim como cada regressão nos faz baixar a cabeça... mas aí é só olhar para ela e ver que tudo vale a pena e que jamais seria a mulher que sou hoje, se minha filha não estivesse em minha vida exatamente do jeitinho como ela é : uma autista perfeita! 

Parabéns Luciana pela força e sabedoria. Sempre te admirei. Espero um dia te reencontrar.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tantas coisas aconteceram

Nas últimas 2 semanas não tive muito tempo para atualizar o blog, por isso me perdoem o excesso de informações. Estou passando por um período profissional atarefado e com muitas decisões importantes para tomar. Mas tudo está se endireitando agora e hoje tive uma folguinha pra falar sobre o nosso rapazinho. Até porque se eu não escrever vou acabar esquecendo de marcar alguma evolução dele.

Há 2 semanas, tivemos o aniversário da Luísa, uma amiga especial do Gabriel, tão especial que ele foi escolhido como o sujeito do tal "Com quem será...". Ele deu um sorriso maroto na hora que parece ter gostado da idéia. Só o pai dela que não. Que pai de menina que gosta? E como qualquer festa não poderia faltar, é claro, os docinhos, só não esperávamos ver o Gabriel abocanhando um brigadeiro inteiro, já que ele nunca foi chegado em doces. Para nossa surpresa o saldo final foi de 5 bolinhas. Definitivamente, a dieta foi pro espaço nesse dia. Até que tínhamos levado o almoço dele como manda o figurino, mas não pensamos na sobremesa, daí já viu. Fora isso, a festa foi muito divertida. A criançada aproveitou a piscina do clube, o lago, o parquinho e a natureza.  Gabriel até subiu numa das árvores. Foi um dia muito legal, onde ele teve a oportunidade de interagir com outras crianças fora do seu convívio.





No mesmo final de semana, tivemos a passagem meteórica do Tio-padrinho Doca. Anteontem, o Gabriel falou espontaneamente: "Estou com saudade do Tio Doca". Achei muito fofo. O que me diz que ele está mais atento à distância da família que não mora por aqui.  Isso é uma grande evolução. Por favor, family,  venham mais vezes pra cá. Ontem quase teve um treco de felicidade ao ver a vovó Solange que chegou de Fortaleza. É muito legal vê-lo feliz ao ter sua família por perto. Em seguida, fotos da desenvoltura do tio Doca.




Durante a semana tudo estava indo bem até que a coordenação da escola me pediu que não atrasasse na hora da saída, pois ele estava tendo problemas com as crianças de outras turmas (quando eles saem da sala todas as turmas da Ed. Infantil se misturam), mesmo tendo monitores pra cuidar das crianças nesse período. Daí tem criança maiores e menores que ele. Como ele tem dificuldades de iniciar uma brincadeira as outras crianças não o entendem, então o conflito está armado. Seja por um brinquedo, seja por um tropeço na hora de correr, o resultado é um beliscão aqui, um arranhão ali.  O pior é que não consigo chegar ao meio-dia porque nessa hora tenho que registrar minhas digitais no ponto eletrônico. Fiquei estressada e até pensamos em tirá-lo da escola, mas pensamos melhor e achamos que o fato de tirá-lo da sua rotina seria um estupidez. Mas quem acaba nervosa sou eu, porque tenho que fazer meu trajeto de saída do trabalho correndo feito uma louca. O trânsito que me perdoe. Vou tentar até onde der.

No dia 08, fomos ao niver da Lara, outra amiga especial do Gabriel. Ela é da turma da pré-instrumentalização do projeto Música para crianças da UNB. Eles são colegas de turma há quase 3 anos desde a época da musicalização. A Lara é a responsável por encorajar o Gabriel nas apresentações em público. Sem dúvida ela é um bom exemplo e uma ótima influência pra ele. Na festinha não se desgrudaram e ele ficou encantado com ela fantasiada de Branca de Neve. Ele queria sua fantasia do Ben 10, tentou forçar a barra, mas logo logo esqueceu e aproveitou bastante o pula-pula e cama elástica. Aliás, sua desenvoltura na cama elástica melhorou bastante, agora já consegue abrir as pernas no ar. Outra coisa que notei é que ele ainda continua tendo muitas dificuldades para iniciar uma conversa com outras crianças, mas tenho me esforçado para tentar mediar e servir de ponte para um diálogo.  Pode parecer piegas, mas a estrada é longa.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Mais uma receita que fez sucesso

A semana que passou experimentamos uma nova receita do livro da Claudia para uma das coisas que o Gabriel não pode ouvir falar que já quer logo comer: Panqueca. Fizemos panqueca de arroz. O Gustavo não se amarrou. Já era de esperar já que ele tá acostumado com a receita do vovô Homero, que realmente é uma delícia.  Mas o que me deixou feliz foi ver o sorriso do Gabriel segurando um panquequinha na mão, sem notar nenhuma diferença no sabor. Foi demais!



Os dedos agradecem


Há uns 2 anos o Gabriel começou com o hábito de roer as unhas. Na época lembro que estávamos com uma conduta mais rígida e intolerante em relação a certos comportamentos como bater, beliscar ou gritar, pois até então não tínhamos a menor idéia sobre o autismo. Achávamos que esse comportamento estava acontecendo por falta de limites. Lembro que no meio da nossa investigação para encontrar explicações para isso, fomos a uma neuropediatra que concluiu que seu problema se resumia em problemas educacionais e que faltava limites mesmo e reforçou a necessidade de sermos mais firmes em nossa conduta. Nem preciso dizer que foi exatamente isso o que aconteceu. Não tolerávamos nem uma mudança no tom de voz. Se gritasse então, a casa caía. Bater ou beliscar virou um crime inafiançável, sem direito a ver seu DVD preferido ou ir para o computador. Tudo que ele mais gostava era retirado diante de um mau comportamento. A pressão foi grande. Esprememos a fruta até não dar mais suco. Resultado: ele acabava se autopunindo roendo suas unhas e dedos. Por orientação da psicopedagoga decidimos afrouxar mais e ignorar algumas coisas e em seguida isso logo diminuiu, mas ao longo do tempo nunca zerou de fato. Fiquei radiante por começar a cortar as unhas, já que agora estavam finalmente crescendo. Sentia o maior prazer em tirar aquela sujeira preta debaixo da unha. Meio nojento né? Mas se tinha sujeira era porque havia uma unha crescida e isso pra mim era um sinal de que a compulsão havia melhorado. Em março desse ano a compulsão voltou pra valer. Na consulta com a homeopata que palestrou na conferência, ele não conseguia se controlar. Dava nervoso de ver. Ela prescreveu um remédio homepático que na primeira semana não mostrou resultado positivo, pelo contrário, só piorou.  Resistimos e esperamos mais uma semana e nada. Dobramos a concentração da medicação e começou a diminuir mas ainda acontecia. Apesar da frequência ter diminuído a intensidade aumentou. Chegava a ver marcas de sangue em camisas e calças de tão machucados. Ele roía as unhas e tirava a pele dos dedos até sangrar. Uma vez quando fui pegá-lo na escola me assustei com a quantidade de sangue no uniforme. Pensei até que tinha brigado com algum coleguinha, mas era por vários cortes nos dedos por mordida. Então na quarta semana, triplicamos a concentração e aguardamos. Para nossa alegria as coisas melhoraram. Hoje, ele me mostrou as duas mãos e falou: - Mamãe, tá quase todo mundo (os dedos) bom, só falta esse aqui, disse apontando para o polegar, que ainda está bem machucado e que é o único que ele ainda mordisca. Os outros nove estão se recuperando bem e já estão com aquela pelezinha nova e fininha. Parece que acertamos na dose. VIVA a homeopatia!!