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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

As placas tem chamado muito atenção


Há duas semanas fomos ao zoológico.  Havia 4 anos que não levávamos o Gabriel lá. A última vez que fomos, foi na comemoração dos seus 2 aninhos. Dessa vez, fomos com o vovô Domingos, Marcelo e Anadeth, pais da Natália, amiguinha que se dá super bem com o nosso garotão e que é esperta, inteligente e bem falante, uma ótima companhia pra ele. Antes de chegarmos lá, disse que queria ver os elefantes e as girafas.  Quando chegamos, enquanto todos estavam interessados em ver os animais, senti que havia algo que chamava mais a sua atenção: as placas de sinalização e as pontes. Ele é fascinado por pontes. É capaz de ficar passando um bom tempo de um lado pro outro e não cansar.  Isso é muito comum em crianças dentro do espectro autista. Eles ficam interessados por detalhes menos importantes ou que não são o foco principal. Ele até prestava atenção nos animais, mas queria ler tooodas as placas por perto. E ficava chateado caso não lesse.  E queria passar por tooodas as pontes.

A placa que ele mais gostou.
Estava na área do rinoceronte, que nem chamou tanto sua atenção.
A cara de felicidade dele por ter atravessado essa ponte

Ainda que tenha chovido, foi uma tarde divertida e vê-lo na companhia de outras crianças é muito bom, porque o ajuda e o insere cada vez mais no nosso mundo, "dito" normal.
Falando ainda nesse assunto, estávamos indo para a psicoterapia, quando passamos na frente de um hospital. O trânsito estava meio parado e eu distraída escutava música. De repente o Gabriel fala: - Mamãe sabia que aqui não pode tocar instrumentos? - Como assim? O quê? Não entendia o que ele falava. – É mamãe, aqui não pode tocar instrumentos musicais. Não pode tocar trombone. – ÃÃ??? Fiquei sem entender. O trânsito andou um pouquinho e vi a seguinte placa a frente:

Então entendi. Atencioso esse nosso garoto, não é? 

sábado, 20 de novembro de 2010

Pensando no futuro

Ao lado do prédio  onde moramos tem um outro em construção. Todos os dias o Gabriel fica na janela e observa os trabalhadores da obra. Acho que gostou tanto que disse que quando ele crescer, quer construir um prédio também.  Falei então que ele deveria estudar muito pra ser um engenheiro. Com o passar dos dias, ele não esquecia o seu desejo e começou a viajar na imaginação. Agora também quer construir aviões e foguetes. Mas esse não é o seu único objetivo de vida. Também quer ser um super-herói: o super-homem. Aproveitamos pra falar que um super-herói se alimenta bem (come tudo do prato, inclusive beterraba, que ele não tem gostado ultimamente), obedece aos pais, não bate em ninguém e não joga as coisas no chão (podemos falar isso porque ele ainda não viu os filmes). Tem ajudado bastante na hora de comer e no seu comportamento também. Vamos ver até quando.  Está com fixação nos brinquedos do Toy Story e disse que quer ganhar o Lego deles no Natal. Falei que o Papai Noel é que vai trazer e em seguida me perguntou quando ele iria chegar. Expliquei que o Papai Noel vai demorar porque ele mora longe e que tá trazendo os presentes de todas as crianças, mas dará somente para aquelas que se comportam.  Estou torcendo pra essa tática funcionar, porque nas últimas duas semanas ele tá bem agitado, enfrentando e desobedecendo ordens que antes já estavam bem absorvidas. Não quer escovar os dentes, tomar banho só na hora que bem entende, grita por qualquer motivo, usando muito e repetindo as falas dos personagens animados, mesmo que tenhamos reduzido seu tempo na tv ou computador.  Seu diágolo ainda que as vezes no surpreenda, continua linear e  algumas vezes bem incoerente, principalmente quando se exige mais dele. Sinto que as vezes tenho que lidar com 2 Gabriéis. Um calmo, obediente, carinhoso e um outro agressivo, irritante e que desafia a todo custo.  Parecem duas crianças diferentes. O Gustavo também acha isso e sem dúvida, isso dá um nó na nossa cabeça.  
Coloco uma foto dele com a fantasia do Ben10 brasileiro (ele mesmo que inventou esse nome, porque vestiu a calça do Ben 10 e a camisa do Brasil,  kkkk morri de rir com esse autotítulo).
Gabriel: - Olha mamãe, eu sou  o Ben 10 brasileiro!


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

As portas pararam de bater

Da última vez que postei, lembro de ter comentado sobre alguns comportamentos ruins que estavam presentes como, em momentos de raiva, o Gabriel querer bater nas pessoas, jogar o que vê no chão, bater as portas, etc. Coisas que irritam muuuito. Na semana seguinte, resolvemos usar a estratégia do reforço positivo. Como a Cíntia também a está usando nas sessões da terapia, achamos que seria um boa tentativa. E foi o que fizemos. Eu havia comprado há algum tempo um painel com ímãs para ajudá-lo na visualização das tarefas diárias, de forma que ficasse mais fácil pro seu cérebro entender a ordem delas (autistas são extremamente visuais e tem dificuldade de entender o sentido abstrato das coisas, para eles um desenho vale mais que mil palavras). Mas ficou encostado porque eu mesma fiz outro painel, com desenhos maiores. Tive a idéia de resgatá-lo do fundo do armário e qual foi a minha surpresa quando vi que o tema principal do painel era o personagem do “Go-Diego-Go”. Pensa se não caiu como uma luva, já que é a fixação dele nos últimos meses. O Diego e a “Dora Aventureira” são os desenhos preferidos dele no momento. Combinamos as regras então: Não jogar as coisas no chão, não bater em ninguém, não bater a porta. Ensinamos que quando ele estiver com raiva precisa ficar sozinho até que ela passe. Caso ele cumprisse tudinho, ganharia um íma por dia. Quando completasse 10 ímas, ele ganharia um prêmio. No primeiro dia não deu certo, acho que porque ele ainda não tinha assimilado as regras, mas no segundo dia, mudanças começaram a acontecer. Em alguns dias ele não ganhou e ficou triste de dar dó, mas quando ganhava, todo mundo fazia uma festa. Quando ganhou seu décimo íma resolvemos que o prêmio seria uma ida ao cinema. Levei-o para ver "Meu malvado favorito". Particularmente, acho que ele não entendeu muito bem o filme, mas o que importa é que todos aqueles comportamentos foram por água abaixo. Go- Gabriel- Go!!


Painel do Diego
A cara de felicidade ao ganhar o décimo ímã

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Constatação de tempo e número

No elevador olhando pra o Gustavo, Gabriel fez o seguinte comentário: "Papai, você tá ficando velhinho!". Caímos na gargalhada. Não é que o garoto tá reparando até no cabelo branco! Para quem não tinha nem noção de tempo...

O uso do plural também tem melhorado. Ontem disse pra mim: Mamãe, você e eu podemos ser super-Gabriéis. Tá bom? Achei muito legal a percepção das duas pessoas e concordar isso com o devido plural. Legal, não acham?

Enquanto isso, na hora da raiva, portas continuam batendo...
Alguma sugestão?

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Altos e baixos

Essa semana o Gabriel tem regredido em alguns comportamentos. A bateção de porta voltou com força total, estou com alguns arranhões no braço e seu limiar de frustração está lá em baixo, está enfrentando mais ao invés de refletir para argumentar, sendo mais impulsivo e com fortes crises de raiva. No início da semana sua maneira de articular as palavras estava meio bagunçada, como se o raciocínio tivesse numa velocidade que a boca não acompanhasse, daí aparecia umas frases soltas e sem muita conexão umas com as outras. Muito agitado, pulando e balançando as mãos quase sempre. Aff tudo isso junto me diz que algo aconteceu. Não sei se tem a ver com a saída da dieta no final de semana ou se é porque está ficando em casa e não está gastando tanta energia quanto ir pra escola. Ainda tem o fato do pai ter viajado na terça e só voltará amanhã. Enfim não sei o real motivo, só sei que tô um pouco chateada por tudo isso voltar. As vezes esses altos e baixos são como um peça que a vida nos prega, como se algo dissesse: "ó, não comemora muito não porque tudo pode mudar", mas sei que devo aprender com eles, por mais difícil que possa parecer.

sábado, 12 de junho de 2010

Desafio atual

Gabriel está dando um pouco de trabalho nas sessões de psicoterapia. Há algum tempo, estamos tentando descobrir o que realmente o desagrada. Não sabemos se são as atividades em si (a tal das caixinhas, que contém os programas a serem trabalhados) ou se é uma resistência à Cíntia (tadinha, tá quebrando a cabeça pra descobrir também). Já mudamos de estratégia algumas vezes. A Cíntia já o levou pra passear, levou DVD de filme infantil, reforçou com algum tempo no computador, mas nada parece dar certo. Ontem ela decidiu vir aqui em casa e parece que foi proveitoso. Ela está revendo e decidirá o que faremos. Achei ótimo porque além de evitar o deslocamento (o consultório dela é bem longe daqui de casa), foi muito bom pra pessoa que cuida do Gabriel ter noções de como lidar com ele, já que ela é nova aqui em casa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Coincidência???

Mal a gente tinha comemorado as evoluções na escola (último post) e nos deparamos, ontem, com o bilhete na agenda dizendo que o Gabriel bateu em 4 coleguinhas. Aff! Parece que não podemos comemorar muito e lá vem um lembrete de que as coisas não são tão simples assim. Nesse fim de semana, o Gabriel saiu totalmente da dieta orgânica. Os eventos sociais são um convite pra saída dela. Na segunda ainda, quando foi para a  psicóloga, mais comportamentos ruins. Bateu na Cíntia, no papai e não quis cumprir com sua parte na sessão. Não é muita coincidência!!?? Com a volta à dieta na segunda, hoje, tudo voltou ao normal. Seu comportamento na escola foi bom e até pareceu mais falante, apesar de muitas frases não terem conexão umas com as outras. O que não é problema já que a nossa interpretação do que ele fala é um exercício diário e está se tornando o nosso ponto forte!!! Iniciamos, há 3 semanas, uma medicação homeopática que é voltada para socialização e para melhorar raciocínios matemáticos. Para este último eu ainda não sei, mas para a socializacão as coisas estão melhorando, no sentido dele perceber a necessidade do outro em sua volta. Fora o fato de sentir falta da família que está longe, essa semana ele fez uma pergunta muito interessante: Mamãe posso trazer os amiguinhos aqui em casa?? Fiquei tão surpresa que nem respondi logo. Pensei, pensei, mas não na resposta, pois essa eu já sabia. Imaginei se ele poderia estar repetindo um diálogo de algum desenho animado, porém como sei exatamente o que ele assiste, descartei essa hipótese. Ou se alguma vez eu havia ensinado ele a perguntar isso, mas não. Parei de pensar e me dei conta de que preciso parar de pensar, pensar, pensar e me deixar levar pela espontaneidade da situação em si e não questionar tanto os porquês de tudo que acontece. Esse exercício ainda preciso praticar mais. Quanto mais eu praticar, mais eu serei espontânea e mais rápida serei em responder. Nem precisa de homeopatia para esse raciocínio, né?

quinta-feira, 20 de maio de 2010

....sobre estrelas


Na semana passada, os dias foram meio tensos por causa do pedido da escola para não atrasar. Até sugeri a minha chefia de sair 10 minutos mais cedo, mas fica difícil porque daí toda a equipe teria que chegar mais cedo para sair mais cedo também. Então continuei a fazer treinamento para trem bala ao sair do trabalho. Corro o máximo possível e consigo chegar lá uns 10 ou 12 minutos depois que ele sai de sala. Parece que não ocorreu maiores problemas e nenhuma reclamação de outros pais. Menos mal. A professora Ana começou uma estratégia de dar uma estrelinha para os alunos quando eles se comportam bem durante o período de aula. Na sexta quando fui buscá-lo ele estava desolado e chorou muito ao me falar que não havia ganhado a estrela. Conversei muito com ele durante o fim-de-semana e disse que ele deveria se comportar, não bater, nem beliscar ninguém para poder ganhar o prêmio. Na segunda tudo se repetiu. Ficou desolado de novo. Conversamos mais ainda e finalmente na terça ele ganhou a estrela. Ele ficou simplesmente extasiado de felicidade. Acho que ninguém tem a idéia da sua felicidade, mesmo que eu explique. E falava e repetia "Eu se comportei, eu se comportei"para todos que encontrava sobre seu bom comportamento. Mas na sexta foi uma lástima. A regra era a cada 5 estrelas recebidas a professora daria uma lembrança, então na sexta ela fez o balanço da semana. Como em 3 dias ele não ganhou, ele não conseguiu juntar as 5, então ele ficou triste novamente por não ganhar a lembrancinha. Repetiu isso a tarde toda. Não importa o que acontecesse ele ficava martelando a mesma frase: "Eu tô muito triste, porque não ganhei a lembrancinha". Fico na dúvida se ele realmente entende o que precisa fazer para se comportar melhor ou se ele não consegue se controlar na hora do conflito com as outras crianças. Independente disso continuamos trabalhando o comportamento dele quando está triste ou com raiva de algo. Dizemos que ele deve se afastar e ficar sozinho até se acalmar. Que bater ou beliscar não vai resolver nada. Tentar conversar ao invés de bater as portas. Enfim sabemos que isso leva tempo, mas ele já está bem melhor do que há um ano atrás e está se esforçando para isso também.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Dia de festa

Hoje estamos comemorando os 50 anos de Brasília. Com muita animação e acima de tudo DISPOSIÇÃO levamos o Gabriel, Marília (minha afilhada) e sua irmã Luiza para ver a Parada Disney. Olha, foi um sufoco! Muita gente, muito calor e haja força para colocar a meninada nos ombros para ver melhor o desfile. Eu e Gustavo nos revezamos nessa tarefa. Apesar disso, foi muito bom ver quando o Gabriel enlouqueceu ao ver o Buzz, personagem do filme Toy Story. Sua felicidade ao vê-lo foi demais. Valeu todo esforço. Viu também a Branca de Neve, Mickey e sua turma, Sininho, Tico e Teco, Capitão Gancho, Piratas do Caribe e as bruxas malvadas de todos os filmes.  Ele se comportou muito bem. Ao lado de outras crianças seu comportamento é excelente. Apesar de ter ficado decepcionado por não comer picolé de chocolate (seu velho hábito), quando entrou no carro apagou e dormiu até chegar em casa, não só ele, mas as meninas também. Acho que a gente deu uma canseira na meninada hein? Foi muito bom pra gente curtir um tempinho em família e homenagearmos essa cidade que me presenteou com várias coisas: primeiro, foi aqui que conheci o Gustavo (e lá se vão 12 anos),  e segundo, foi aqui que o Gabriel nasceu e está crescendo. Ou seja, Brasília fez e faz parte do melhor que tenho em minha vida: minha pequena-grande família. Por isso, meus parabéns à essa cidade que, mesmo estando numa situação política conturbada, merece nosso respeito e consideração. Dá uma olhada nas fotos. Do auge ao cansaço no final.






Outro motivo pra gente comemorar é o aniversário da Luiza, que fez 7 anos hoje. Ela é uma amiga especial do Gabriel. Ele tem um carinho enorme por ela. Não podem se ver, que não se desgrudam. É lindo ver os dois juntos. Ontem cantamos parabéns pra ela e o Gabriel dormiu pela primeira vez na sua casa e se comportou muito bem. Deu uma choradinha antes de dormir, mas nada de anormal. Ainda bem que a Marília o consolou e logo ele pegou no sono. O importante foi que obedeceu direitinho e a experiência de conviver com outras crianças é muito benéfica. Com a noite livre, eu e Gustavo pudemos nos divertir com alguns amigos. A gente merece né?
Hoje também é o aniversário da vovó Solange, que mesmo distante fisicamente está muito presente na vida do Gabriel. Ela é uma vovó muito amada por nós e sentimos muito a sua falta por não vivermos na mesma cidade. Parabéns minha querida sogra. Obrigada por toda sua ajuda desde o nascimento do Gabriel até os dias de hoje. Somos muito gratos por tudo. Você é o nosso AMOR, você é a nossa PAIXÃO, é nosso pedaço de... Beijos candangos pra você!




segunda-feira, 19 de abril de 2010

A energia que contagia




Hoje foi um dia interessante e cheio de emoções. Gabriel acordou bem, tomou seus remédios (2 em jejum), colocou seu uniforme, tomou sua vitamina, escovou seus dentes numa boa e foi para a escola. Maravilha! Combinei com ele de levá-lo pra cortar o cabelo caso ele se comportasse. Pois é, para quem não sabia essa tarefa é um dos grandes prazeres dele. Adooora cortar o cabelo. Tanto que no mesmo dia que corta, põe a mão e diz: Mamãe o cabelo já cresceu, tem que cortar de novo! Isso tudo tem um motivo: o salão tem um video game para distrair o cliente enquanto dá um trato no visual. Como ele de bobo não tem nada, aproveita cada minuto entre as tesouradas na juba. É uma diversão. O duro é tirar depois. Dá um show. O Marcos já sabe do "the end" e finge que o CD do jogo tá com problema ou dá outra desculpa qualquer, porque meus argumentos não servem. Bem, ele chegou do colégio, tirou o uniforme, almoçou tudo e escovou os dentes como nunca. Tudo parecia até cronometrado de tão redondo. Fomos em direção ao salão e o acesso à rua estava interditada, por um caminhão da CEB e eu tinha que dar uma volta por outro caminho. Ele então começou a gritar e chorar achando que eu tinha desistido. Isso acontece comumente quando se planeja algo e de repente precisa ser mudado. Os autistas tem fixação por trajetos para determinado lugar e não admitem improvisos ou mudanças repentinas na programação. Tanto que a antecipação é uma grande aliada nossa. Tudo o que formos fazer devemos antecipar. Isso dá conforto e tranquilidade aos autistas, pois as coisas estão sob seu domínio e seu conhecimento. E é também uma grande vilã porque em situações como essa não havia explicação que coubesse. Não adiantou explicar, pois nessa hora parece que fica surdo e não entende nada do que falamos. Dei uma volta na quadra, enquanto isso ele foi chorando até que se acalmou. Cheguei no prédio comercial e percebi que todas as lojas estavam no escuro. Já imaginei a cena na minha cabeça e não deu outra, o salão estava fechado, e com isso não tinha video game também. Como o imaginado, não aceitou de bom grado e tive que fingir ir embora com o carro pra ele poder se convencer de que não adiantava ficar ali. Consegui com muito custo colocar o cinto de segurança e ir pra casa. É claro que ir pra casa não estava nos planos dele, então foi mais um motivo de chutes e beliscões.  Eu disse que estava triste por ele não ter cortado o cabelo também, mas acredito que por não entender a situação, ele me culpava, porque falava repetidamente que não gostava de mim. Ele, atualmente, tem usado essa frase quando está bravo com alguém. Quando chegou em casa jogou tudo que achava no chão e bateu algumas vezes a porta do seu quarto. Fui pro meu quarto e ignorei. Fingi que estava dormindo quando ele entrou e vi que ele se surpreendeu por eu estar indiferente. Então parou com seu ataque de raiva. Falei que ia dar todos os dvds e a bicicleta, afinal ele tinha jogado tudo no chão. Para minha surpresa ele falou que não era pra eu dar porque ele mesmo iria guardar. Coisa boa! Progressos acontecendo. Percebo que dando um tempo pra ele se acalmar "a ficha cai" e ele se dá conta da bobagem que fez. Depois disso fui pro computador para forçar uma negociação. Ele disse que queria brincar também e eu falei que ele poderia brincar somente depois de tomar banho e se arrumar para ir pra psicoterapia. E não é que deu certo de novo.  Obedeceu e ganhou 10 minutos no computador. Dei o marcador no relógio para o final do tempo e ele na hora combinada desligou o computador sozinho. Ufa! Fomos civilizadamente para o consultório da Cíntia, sem reclamações e choro. Deu tudo certo. Fez seu programa direitinho e com louvor. Pensei: fora o salão apagado, tudo estava correndo bem. Fomos pegar o Gustavo no trabalho, que havia combinado de comer um churrasquinho com amigos, no final do expediente. Fomos juntos. Gabriel comeu um espetinho de carne (que por sinal estava muito bom). Daí veio a péssima idéia de dar guaraná, pois ele estava com sede e o seu suco havia acabado. Pronto, tudo desandou. O comportamento se alterou. Começou a chutar, beliscar e a puxar meu cabelo. Infeliz aquele que criou o guaraná com todos os seus corantes e conservantes. Chegou em casa dormindo, mas não totalmente. Para nosso espanto ele começou a gritar coisas desconexas e a esmurrar a parede. Fiquei assustada. Quanto mais a gente falava mais ele ficava alterado. Pois é gente, isso serviu pra nos mostrar uma coisa: a dieta inadequada é uma gatilho crucial dos comportamentos indesejáveis. Serviu pra nos convencermos de que precisamos ser firmes na dieta natural e orgânica. Caso contrário vamos ter essas surpresinhas rodando nossas vidas. Infelizmente o slogan do refrigerante brasileiro me contagiou mesmo, mas não como eu gostaria. Sobrou pro Guaraná. Até mais.

sábado, 17 de abril de 2010

Nossa semana

Essa semana quase não postei porque as coisas estão bem agitadas por aqui. O comportamento do Gabriel não tem ajudado e ainda por cima está gripado e febril. Já esperava isso, já que não tem se alimentado direito. Nunca sente fome. Só faz alguma refeição se "ganhar" algo: ou assistir um filme ou ir na locadora enfim qualquer coisa que ele goste muito, caso contrário fica sem comer. Tá complicado porque uma coisa leva a outra. Se não se alimenta não fica bom e se está doente não tem apetite. Está tossindo bastante e não consigo dar um xarope fitoterápico porque ele vomita tudo. O que salva é água, suco, vitamina C e olhe lá. Estou fazendo nebulização com soro e parece que não melhora. Continua tossindo e com febre. A agressividade está dando sinais de aumento. Agora até por motivo nenhum ele vem e bate. Quando confrontado ele vai pro quarto e bate a porta com força. Isso já tinha melhorado, mas voltou com força total. O portal está ficando quebrado com o impacto das batidas. Acredito que os vizinhos não devem entender nada, mas no final da noite as batidas acontecem como se marcadas no relógio. Todo dia, no mesmo horário. A orientação da Cíntia é ignorar. Peço que orem para Deus me dar mais paciência, pois tem comportamentos difíceis de ignorar.

Na quarta, levei o Gabriel para consulta com a Dra Tatiana, uma amiga odontopediatra. Foi consulta de rotina e para ver o tal dente que está "mole". Foi cansativa por vários motivos. Primeiro não quis escovar os dentes antes da consulta, fugiu e corri atrás até alcançá-lo, ganhei alguns arranhões e beliscões por isso. Não o convenci a escovar espontaneamente, foi à força mesmo. Eu e uma auxiliar nos ajudamos na imobilização para permitir a visualização dos dentes. Não houve conversa ou brinquedo que o convencesse a sentar na cadeira e abrir a boca. Prometi dar outro Lego do Star Wars e nada. Prometi deixar ele ir pro computador e foi inútil. Prometi levá-lo na locadora depois da consulta e também não deu certo. Agora ele já se deu conta do processo de negociação e quando ele vê que estamos querendo que ele faça algo em troca, ele vai dizendo: não quero mesmo. Eu posso com isso? Por isso as técnicas a La Super Nanny não davam e continuam não dando certo. Até a Cíntia diz que está cada vez mais difícil negociar com ele também. Imagine ela como psicóloga está achando isso, imagina euzinha. No final das contas, a Tati conseguiu examinar e aplicar flúor. Menos mal. Saí de lá toda suada por fazer tanta força. Como odontopediatra fico tranquila por saber que isso não tramautiza, mas tenho receio de com o passar dos anos, com ele maior e mais forte, não consigamos imobilizá-lo. Só a chegada da maturidade é que realmente fará diferença. O que eu não entendo é que ele foi crescendo e achando ruim ir ao dentista sem sequer ter tido uma experiência ruim, como dor ou desconforto. Até porque não tem nenhum problema como cárie por exemplo (e se tivesse não me perdoaria) Mas enfim tem coisas que não conseguimos explicar. Com a concordância da Tia Tati (já que conseguiu examinar e aplicar flúor) passamos na locadora e ele pegou dois filmes: Shrek 3 e Toy Story. Pediu pipoca, mas ainda não achei milho orgânico, se alguém souber nos avise, estamos à procura. Sei que existe, mas ainda não descobri onde vende.

Para finalizar coloco fotos da época áurea do Gabriel onde ir ao dentista era algo divertido e atraente. Fofo, não acham?





sábado, 10 de abril de 2010

Uma teoria

Continuando o post anterior, os dias continuam  estressantes. Já notei que quando o dia começa com dificuldades, o resto acompanha. Na terça, quarta e quinta, iniciamos o dia agitadamente. Gabriel deu trabalho pra tudo: tomar remédio (ele tem que tomar um em jejum), vestir o uniforme da escola, tomar café e escovar os dentes. Esse ritual todo leva mais ou menos 1 hora e meia, as vezes até 2 horas. Todos os dias ele chega atrasado na escola. Ainda bem que todos do colégio entendem e sabem dos nossos motivos. A orientação da Cíntia é levar tudo na conversa e evitar situações de enfrentamento, porque geralmente acaba em embate físico. Realmente isso requer muito equilíbrio de mim e nem sempre consigo. Na quinta dei o remédio à força porque já tinha gastado toda minha imaginação e nada de convencer, como resultado levei uns arranhões de lembrança. O remédio realmente é ruim. Tentei no copo, na colherzinha própria para remédio, com adoçante enfim de todos os jeitos e acho que na sexta acertei, dei com uma seringas direto na garganta. E parece que deu certo. Na sexta parece que acordou outra pessoa. Concordou em fazer tudo rapidinho e sem contrariar, uma maravilha. No fim do dia no happy hour fomos a um restaurante/bar perto de casa. Ficamos apreensivos porque na brinquedoteca tem video game (Wii, ele adora!) e não sabíamos como ele reagiria, já que aqui em casa é difícil dele aceitar a hora de desligar. Nos surpreendemos. Dividiu, revezou com as outras crianças e aceitou numa boa a hora de ir embora. Mas como disse antes, o dia começou com tudo dando certo. Acho que essa teoria faz sentido. Como esses dias foram conturbados até desmarquei a consulta que ele tinha na odontopediatra e remarquei pra semana que vem. Ele tem outro dente que está mole e precisaremos tirá-lo, mas, definitivamente, ele só irá se o dia começar tranquilo.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dia difícil

Ontem foi um dia difícil. Começou com o Gabriel não querendo sua vitamina matinal (fruta e leite). Não teve quem ou o quê fizesse ele tomar. Saiu de casa sem comer nada. Quando fui buscá-lo na escola vi que não lanchou também. Fico aflita por ele não ter apetite. Parece que vive de luz! Ainda bem que no almoço ele se redimiu e comeu todo seu prato. Mas também pudera, já passava das 2 da tarde quando resolveu almoçar: arroz, feijão, frango grelhado, vagem, cenoura, tomate, alface, repolho e até beterraba. Fiquei mais tranquila. A tarde o levei pra psicóloga. As sessões de psicoterapia do Gabriel acontecem em 4 horas semanais divididas em dois dias, na segunda-feira e no sábado. Ontem  a sessão foi conturbada. Ele já saiu de casa dizendo que não queria ir.  No caminho dormiu e chegou lá contrariado. A  psicóloga (Cíntia) falou pra eu ir embora e fui. Só ouvi ele chorando e dizendo que queria ir também. Meu coração apertou, mas segui as orientações dela. E como tinha que passar na farmácia homeopática, resolvi fazer isso para preencher o tempo da sessão. Quando voltei pra buscá-lo, ele estava na porta me esperando. A Cíntia disse que não tinha trabalhado com ele por que ele havia batido e a beliscado. E que depois de alguns minutos ele viu que ela estava no computador  e resolveu "obedecer", como se nada tivesse acontecido. Tudo para poder ir pro computador também. Daí ela explicou que as coisas não funcionam na hora que ele bem quer e que sempre vai "perder algo" se não se comportar. Ela pediu para ensinarmos ele a conversar, a expressar os seus sentimentos  quando estiver triste, com raiva ou quando quiser algo. Pediu para falar que os animais é que brigam pra conseguir as coisas, porque eles não sabem falar e que as pessoas não batem nem beliscam e sim conversam para conseguirem algo. Parece que o descontrole dele foi  bem intenso. Quando ele age dessa forma o melhor a fazer é dar um tempo para ele se acalmar. Enfrentá-lo é pior porque parece que ele nem ouve e invariavelmente ele parte para a agressão. É algo incontrolável e impulsivo. Quando não agride, joga o que tiver na frente no chão ou bate as portas. Os vizinhos sabem bem o que é isso. A orientação da psicóloga é ignorar, o que é algumas vezes uma tarefa difícil. Estou tentando me controlar. É um exercício diário de paciência. Deus sabe o que eu e Gustavo sentimos. Tentamos nos revezar, mas chega uma hora que os dois cansam. Mas enfim, no final das contas, vamos nos reunir na quarta para traçar novas estratégias (ou reforçar as que já existem) e tentar estabelecer uma linguagem única, porque eu e Gustavo temos reagido de maneiras diferentes às atitudes dele. Torçam para que a gente consiga melhorar nesse ponto. Depois da sessão quis que o levássemos pra comer sanduíche. Dissemos "não", pois se concordássemos estaríamos premiando seu mau comportamento. Conclusão: fomos jantar em casa.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Comportamentos




Alguns comportamentos do Gabriel estão sendo trabalhados, desconstruídos ou desaprendidos. Alguns vão deixando de acontecer e outros reaparecem do nada. Desde uns 2 anos e meio percebi que o Gabriel brincava de um jeito diferente. Brincava sozinho, sem pedir ajuda, aliás até hoje é muito independente e raramente pede pra brincarmos com ele. Ontem aconteceu algo que há muito tempo ele não fazia: enfileirar brinquedos ou objetos, o que é muito comum em crianças autistas. A brincadeira perde seu sentido principal e o mais importante é o jeito de arrumar, não há outra função. Lembro que ele já fazia muito isso com seus carrinhos. Demorava um tempo para arrumar e a brincadeira era só essa. Os carros não andavam, só ficavam ali uns atrás dos outros. Não havia a fantasia de uma estrada, movimento de andar ou correr, muito menos a imitação do barulho dos motores. Claro, essas coisas acontecem quando a imaginação está presente e no autista essa habilidade é pequena ou até inexistente. Hoje percebo que havia algo já sinalizando nessa época. Mas como não tínhamos a menor idéia disso, passou despercebido. Parece que essa forma de brincar diz respeito a necessidade de se acalmarem colocando seu próprio mundo em ordem ou pelo simples fato de não saberem brincar da forma adequada, utilizando a função correta do brinquedo.  Ele tem brincado bastante com seu Lego do Star Wars, aliás, é sua fixação atual, e me surpreendi com todas as armas dos clones organizadas em uma linha e quando perguntei o porquê disso ele não soube explicar. Atualmente, temos no esforçarmos para interagir mais com ele por meio de bricadeiras de esconde-esconde, massagens, jogos como soletrando, da memória, etc. Sempre ensinando as regras e a forma correta de explorar as brincadeiras. A imaginação está começando a aparecer na invenção de estórias e quando imita o jogo de tênis com raquete e bolas invisíveis. São progressos pequenos mas muito comemorados. Toca aqui garoto!!!